quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A Repartição

     A Repartição


     Os fatos aqui relatados poderiam ser apenas acontecimentos comuns, isolados, típicos da vida monótona, sem graça e fria de uma Repartição Pública. Porém se olharmos com um olhar mais aguçado, veremos o exercício de paciência e convivência do dia a dia de quem vive neste inferno burocrático, em meio a um emaranhado de Leis e Regulamentos que mudam a cada instante, contradizendo-se e atormentando quem tenta decifrá-los buscando o auxílio de seus desorientados Superiores Funcionais que quase sempre nem sabem como chegaram a ocupar tais cargos, nem o que fazem naquele Serviço.

     Como se não bastasse tudo isso, ainda tem o Público, com suas limitações, só querendo resolver os seus problemas de qualquer maneira (e que muitas vezes, desnorteados, nem estão na Repartição certa), criando Leis absurdas, imaginando Direitos que mais parecem alucinações, produto de mentes doentias tentando com suas conversas estranhas uma única coisa, sobreviver à custa dos outros. Sem dúvida existem as pessoas de Bem, simples ou mais esclarecidas, informadas e educadas, que buscam estas Repartições, são pessoas assim que merecem todo o respeito da Sociedade e principalmente das Autoridades (infelizmente estas são uma minoria).

     Pois bem, é com a Alma e o Olhar, de quem por boas três décadas, está neste cenário e fazendo parte dessa rotina, que nosso amigo “O Funcionário”, que já tantos fatos vivenciou, um dia voltando para seu lar, depois de horas e horas de trabalho, chegando em sua casa simples, seu adorável lar, lê um bilhete carinhoso deixado por suas filhas (que não resistiram àquele friozinho convidativo e adormeceram em paz), toma um demorado banho quente, prepara um delicioso café com uns pãezinhos na chapa (na manteiga e bem crocantes), coloca a sua bandeja de lanche sobre a mesa da aconchegante sala e confortavelmente instalado olha ao redor, para aquela tranquilidade e segurança, enquanto aquele frio agradável insiste em acariciar o seu corpo protegido por um delicioso roupão.

     Ele vê as cortinas balançarem levemente com a brisa que teima em entrar na casa através das vidraças semifechadas, enquanto lá fora chove pesadamente. Suspira pensativo e lentamente se delicia com seu lanche (feliz, sente-se saboreando um lanchinho digno dos melhores Chefs), espreguiça-se gostosamente e fala consigo:

     “Esta noite está até parecendo uma daquelas noites de minha infância lá no interior, quando a gente se reunia na sala para ouvir nosso avô contando suas estórias!”

     Saudoso dá mais uma olhada no ambiente, fixa seu olhar no computador sobre a mesinha no cantinho da sala e decide:

     “Hoje quem vai contar estórias sou eu!”

     Animado, liga um CD de Chopin (a meio volume), senta-se em frente ao computador e estalando os dedos ansiosamente diz sorrindo:

     “Hoje este grande escritor aqui vai arrasar!”

     Escolhe escrever sobre os fatos curiosos ocorridos em seu local de trabalho, situações surpreendentes e interessantes! Lembrou daquele dia em que...

     ***

     Foi atender uma velhinha, bem pouco humorada, com seus fortes traços de beata. Tudo corria bem no atendimento, a idosa agitada, mascando a própria língua com seus poucos dentes repetia compulsivamente que queria seus direitos. Em certo momento nosso amigo (experiente e calmo), pergunta à velhinha:

     “A Senhora tem PIS? Deixe-me ver os seus documentos. Já trabalhou fora?”

     Para horror de nosso amigo e de todos os presentes, a velhinha com um salto levanta-se da cadeira, agitando sua bengala de madeira, com os olhos esbugalhados e com seus gritos indignados, berra:

     “Seu sem vergonha, fique sabendo que eu sou uma mulher direita, nunca me deitei com ninguém, sou virgem, nunca tive filhos! Trabalho sim para meu Jesus (que está nos céus). Se eu sou de fora ou não, não é problema do senhor, seu abusado!!!”

     E colocando-se de joelhos, desata a tremer e a chorar numa reza enlouquecida que só terminou com a chegada do Corpo de Bombeiros (segundo ela gritava eram os anjos, bonitões, do Apocalipse).

     Ufa...

     ***

     Em uma outra ocasião, ocorreu um fato muito estranho à compreensão humana. No meio de uma tarde, todos estavam bem tranquilos, ocupados em suas tarefas, o público aguardava o atendimento ordenadamente, sem problema algum. Contrariando toda essa paz havia somente a agitação neurótica de uma das Supervisoras de Serviço (uma daquelas que nada sabem e se sentem sabichonas). Meio loira, meio ruiva, coroa com mania de modelo e com seus devaneios de ter morado na Alemanha (nunca saiu da cidade onde nasceu e mora, quanto mais do Brasil).

     Pois bem, a criatura, alta, um tanto fora de forma, com uma mania horripilante de ficar retorcendo os lábios (enrugados e tingidos de rubro fatal), nervosamente não parava, ia de uma mesa a outra, infernizando a todos com sua incompetência administrativa. Subitamente ao passar próxima à mesa que ocupava, esta esbaforida, com suas sandálias de saltos exagerados, torce o pé, vai ao chão ruidosamente numa queda preocupante e fica estirada como que sem sentidos. Num impulso levanta-se nosso amigo funcionário e oferece ajuda à colega caída, estende a mão, mas, para surpresa de todos (e decepção dele, que por princípios sempre foi orientado a ajudar a quem necessitar) ela olha para ele com olhos enraivecidos e aos berros rejeita seu apoio dizendo:

     “Não se aproxime, não me toque e não me olhe, saia de perto de mim! As tropas de Hitler me salvarão! Suma daqui!!!”

     Os outros colegas custaram convencê-la a aceitar ajuda deles.

     Questionada depois pela Chefia, sobre o tombo e sua atitude, ela retorcendo os lábios e com os olhos frenéticos, falou:

     “Que tombo? Eu?!”

     ***

     Nesta Repartição em que trabalha nosso amigo, existe um esforço muito ativo por parte de todos para se preservar uma prestação de serviços de Excelência, pois bem, na tentativa de mostrar este empenho aos usuários dos serviços, muita coisa se faz. Então resolveu a Repartição, colocar em pontos estratégicos das Agências (nos salões de atendimento) uns cartazes retratando em tamanho natural um funcionário com um largo sorriso nos lábios exibindo uma lista de serviços oferecidos ao Público... ficou o tal cartaz muito bem feito (muito real). Certo dia estavam todos ocupados com suas tarefas, quando de repente em um canto do salão (onde o Público aguarda o atendimento) começou uma gritaria.

     Um cidadão, baixinho, de cabelos ruivos, com enormes dentes projetados para fora da boca e usando uns óculos de lentes redondas e enormes (absurdamente grossas) aos berros demonstrava toda sua fúria e indignação, gesticulava e gritava contra o País, contra o governo, contra a sociedade, enfim contra todos. Estava revoltado principalmente com aqueles que permitiam que funcionários como “aquele ali” em frente a ele trabalhassem no serviço público.

     Berrava o apoplético cidadão que aquele funcionário não lhe dava a menor atenção, nem olhava direito para ele, ficava apenas com aquele olhar superior e aquele sorriso irônico, um sujeito debochado e inútil a ganhar alto salário, pago pelo dinheiro público.

     Todos ali estavam assustados e sem entender direito o que estava acontecendo, então uma Assistente Social se aproximou do irado cidadão e com muita habilidade convenceu o tal sujeito a ir para sua sala, dizendo:

     “Pode deixar, eu vou atender o Senhor...”

     Retirando-o enfim da frente do tal cartaz que insistia em ficar sorrindo solicitamente com sua lista de serviços na mão. Coitado, dias depois o tal cartaz foi exonerado a Bem do Serviço Público (nem teve chance de se defender das acusações daquele louco que não enxerga um palmo diante do próprio nariz)!

     ***

     ...Nosso amigo já estava imaginando contar umas estórias também sobre Júlia (uma funcionária “caipiranha” recém chegada ao setor público) que gostava de se dizer a mais bela, mais competente e mais tudo. Mas que era conhecida por viver numa eterna “pindura” financeira e por sua mania de festas, por qualquer motivo lá vinha ela fazendo vaquinha para promover festas no serviço (diziam até que era para ela e sua filha Mary, de quatro aninhos e sem pai, terem o que comer).

     Neste momento porém o nosso amigo escritor ouviu de súbito um urro medonho, era o aviso do antivírus de sua máquina alertando que uma ameaça grave estava tentando invadir seu computador. Salvou seus arquivos com segurança, adotou medidas preventivas de proteção ao sistema e pensou:

     “Já escrevi muito e muito bem!” (era convencido, o danado)

     “Está na hora de ir dormir em minha cama quentinha!”

     Assim, já estava se deitando quando outro som sacudiu sua casa. Deu um salto e logo descobriu que se tratava do seu rádio despertador que o acordava todas as manhãs, de segunda à sexta-feira, tocando um Rock pauleira absurdamente alto, avisando que era hora de ir para o batente.

     Pronto! Revoltado, começou a correria, tomou um banho rápido, fez a barba às pressas, tomou um gole do café da noite, pegou sua pasta de serviço, abriu delicadamente a porta do quarto de suas filhas (tesouros de sua vida) e carinhosamente deu um leve beijo de despedida nas faces delas. Ia saindo do quarto de fininho, quando as filhas com seus olhos sonolentos perguntaram:

     “Pai vai aonde?”

     Ele responde:

     “Ao trabalho, já estou atrasado.”

     As duas filhas então espantadas falam em coro:

     “Mas Pai, hoje é sábado!”

     Então nosso amigo, surpreso, mas feliz e aliviado, agradece a suas filhas e novamente no conforto de seu pijama preferido (branco com bolinhas azuis) joga-se de volta à cama sob um cobertor acolhedor.

     Assim, logo está nosso amigo em sono profundo, embalado apenas pelo som da chuva fria que insiste em cair lá fora e do radinho de cabeceira (em volume bem baixo) em que um animado locutor diz:

     "Alô meus amigos ouvintes!!! No meio desta manhã chuvosa e fria de sexta feira...”


     Autor: Paulo Renato Lettiere Corrêa (Paulo Lettiere)

A Receita de um Conto

     A Receita de um Conto


     Andando pelo interior do nosso país, cheguei a uma pacata e simpática cidadezinha de povo gentil e acolhedor, além de ser uma das mais faladas e conhecidas pela qualidade de sua cachaça e culinária (o que despertou em minha alma de Chef grande interesse em conhecê-la).

     Pois bem, cheguei em uma dessas vendinhas admiráveis do interior, que são armazém, açougue, padaria, armarinho, restaurante e até farmácia (tudo isso em um só estabelecimento), esta, do amigo Gafanhoto era muito bem cuidada. Sentei junto a uma mesinha de madeira com duas cadeiras, pedi o prato do dia, costela de boi com agrião e enquanto aguardava, aproximou-se um morador do local, era um caboclo amistoso, aparentava seus sessenta e poucos anos, trazia com ele uma garrafa de boa cachaça e dois copinhos convidativos. Com uma voz rouca e serena cumprimentou-me, pediu licença e sentou-se à minha frente, ocupando a outra cadeira de minha mesa. Olhou-me sorrindo e serviu nos dois copinhos a purinha e com um ar enigmático e desafiador, deslizou um deles em minha direção, entendi o gesto e brindamos a nova amizade tragando de um só gole todo o conteúdo (era adoravelmente gostosa e terrivelmente forte, aguentei firme), ele então, tornou a encher os copinhos e percebendo meu desespero, gentilmente disse:

     - Carma irmão, estas é pra depoi!

     Com seu palavreado regional e matreiro, virou para o garoto que servia as mesas e falou:

     -Custela cum agrão, pra eu também, pur favô.

     Voltou-se para mim e comentou:

     - O Doutô é di fora, mas vi qui é genti boa i sabi o qui é bão, gosta di comê bem i gosta di um “tapa na guela”!

     Algum tempo depois fui saber que ele havia me servido naquele copinho a cachaça mais forte da região, era uma das formas de dar boas vindas às pessoas de fora.

     Agradeci, disse a ele não ser Doutor, apenas um interessado pela cozinha de um modo geral, nossos pedidos chegaram fumegantes, com um colorido e aroma tentador, ali, com aquele caboclo aprendi a enfrentar aquela comida deliciosa. Ensinou ele:

     - Pra cada cinco grafada di cumida, um copinho di cachaça das boa, o úrtimo copinho é sempri oferecido ao Santo.

     E assim fizemos, comendo, bebendo e proseando, sem dúvida um dos melhores almoços da minha vida.

     Afinal saciados em nossa fome e mais amigos do que nunca, comentei que algum dia iria fazer uma costela tão boa como aquela e que também iria aprender fazer uma boa costela no bafo. Ele, animado, deu um vigoroso arroto, pediu-me desculpas e disse:

     -Presti bem atenção, eu vô contá procê a mais deliciosa manêra di fazê uma custela no bafo. Foi num dumingão, fiz pra moçada lá da granja i todo mundo adorô, fui no açogue do Melé, aqui pertim, cumprei umas custela, cum bastanti carni i bem gorda, cumprei um baldim di áio batido i tamém uma forma di alumino bem grandona, aquela do tipo descartávi, roio di papé alumino i firmi prástico (daqueli qui si usa pra pô em vorta da carni no brasêro) i corrí di vorta pra granja.

     E continuou:

     - Eu fiz anssim: Lavei as custela, sequei direitim, passei bastanti sar grosso, tirei o sar demais i passei bastanti cremi di áio nelas, butei uma pimenta vermeia inteira, duas cebola cortada ao meio i uns dois copos americano di vinho tinto seco (meió si véio, quasi venagrano). Embruiei tudo cum umas quatro vorta do papé alumino, depoi enroiei cum três vorta di firmi prástico, pra ficá bem vedadim i pur fim, mais uma ou duas camada di papé alumino, butei o tar embruio im cima dumas pedra di rua qui já estava pegano fogo no brasêro i dexei o marvado lá por quarsi cinco hora. Depoi metí a faca neli para vê si já tava macio i sortano dos osso (cuidado pra não si queimá com o calô qui sai).

     - Óia moço, ficô di lambê os beiço.

     - Pra falá a verdade moço, eu ia inté fazê pra hoji, mas acunteceu entrevêro lá im casa num sabe... eu ontem à tardezinha saí pra cumprá as custela na venda aqui pertim, fiquei proseano cuns amigo, bebeno sociarmente cos colegas, num sabi... quasi mi esqueço da custela, queria cumprá uns quatro quilo, dei um vacilo i saí di lá cum dezoito quilo di custelas.

     - Pra ataiá o causo, seu moço, lá pra duas da madruga cheguei im casa, bêbado, sem um tustão, chêrano a perfumi barato i cum enormi embruio di custelas, i pregunto para minha Dona (que não sei pruquê estava à minha espera muito nervosa): “Será que ocê faz custela no bafo, pra seu amorzinho i os amigo deli qui vem aqui im casa hoji tomá umas branquinha?”

     - Amigo, vô dizê uma coisa, muié da genta, quano não quer ir pra cozinha, é o bicho, óia, ela mi xingô, mi bateu i mi botô pra fora di casa esta noite, não entendi pruquê.

     Eu, amigo que havia me tornado, em tom consolador, assim falei:

     - Mas meu amigo, você apronta todas e ainda não quer que sua mulher fique brava, tome rumo amigo!

     Ele então falou com o olhos cheios de água:

     - Moço, eu amo a minha Dona, nunca faria nada pra magoá ela, o que acunteceu foi o serguinti:

     - Eu só fiquei sem dinhêro pruquê cumprei custela demais. A bebedêra, isto foi pru conta dum custumi nosso dos finá de semana, di í cos amigo tomá umas branquinha despoi di tantos dia di trabaio duro na lavôra. Os amigo iam armoçá lá im casa sim, tomano umas purinha, pruquê eles si oferecêro pra dá uma força no nosso roçado. I o tar chêro de perfumi barato qui causô tanta faladera, foi pru conta di um vidrinho di Arfazema (daqueli qui tem um ramim da tar flô drento) qui eu tinha cumprado pra fazê surpresa pra minha Dona i qui acabô quebrano im uma das minhas muitas quedas à caminho di casa, molhano a minha rôpa com seu conteúdo.

     Aliviado com as explicações e vendo que a alguns minutos uma Dona (era a dele) nos observava timidamente como se quisesse aproximar-se do meu amigo e puxar conversa, pedi a conta do almoço, paguei e despedi-me dele, jurando voltar mais vezes e fui saindo de fininho dizendo a ele (que nem havia se dado conta ainda da presença tão próxima de sua Dona):

     - Fica assim não, note que ela também não poderia adivinhar tudo isto (e na hora da bronca as coisas ficam mais complicadas). Tenha certeza amigo, logo logo ela vem se acertar com você, pois ela também te ama. Mal havia me afastado uns metros, olhei para aquela mesa e vi os dois, sorrindo um para o outro. Aquele belo casal, de mãos juntas sobre a mesa, e unindo os dois, o amor, uma garrafa de purinha e dois copinhos ansiosos.

     Óia, digo, olha, foi a mais gratificante amizade e a melhor receita de Costela no Bafo que já experimentei até hoje. Eu fiz do jeitim, digo, jeitinho que ele me ensinou, ficou maravilhosa!


     Autor: Paulo Renato Lettiere Corrêa (Paulo Lettiere)

A Luz da Serra (Uma Estória de Amor)

     A Luz da Serra (Uma Estória de Amor)


     Renato, garotinho feliz e participativo, conhecido entre seus colegas como “Natinho”, nascido e criado numa fazendinha de seus pais, localizada no interior de um estado de bela natureza, em uma cidade pacata, ele, sonhador mas responsável, dividia seu tempo entre estudos e ajudar na lida com a terra, mas também não dispensava os lazeres locais e próprios da idade (adorava fazer trilhas através da cadeia de montanhas que circundava a cidade).

     Assim, juntamente com seus amigos, conhecia outras pessoas, lugares e aquela natureza de raro esplendor. Foi aí, neste nascedouro da paz que Natinho viveu e passou a respeitar mais ainda o amor.

     Montanha acima, mata adentro, foi o grupo de jovens, até encontrar uma família que morava a anos e anos naquele lugar, em uma casinha humilde e simpática, junto à uma cachoeira que se esforça para fazer suas águas roncarem, foram eles bem acolhidos por aquela família (composta de um casal e seus dois filhos), curiosa para saber notícias da cidade grande (já que vivia ali e quase nunca tinha necessidade de ir à cidade).

     Acomodaram-se ao redor de uma fogueira que crepitava alegre no quintal da casa e convidaram os visitantes a fazer o mesmo, já que a noite já vinha colorindo a mata de um verde mais escuro e a lua cheia (linda) vinha enchendo o céu com sua luz prateada trazendo junto uma brisa suave e fresca que acariciava os corpos e espíritos, tendo ao fundo a música dos pássaros cantores da floresta em um coral inesquecível.

     E foi ali, trocando idéias, experiências, discutindo mentiras e verdades, que ouviram a mais bela estória de amor daquelas matas. Contou o patriarca daquela unida família em um tom que inspira a verdade:

     “A muito, muito tempo atrás, em uma noite medonhamente escura, a vida de um valente, amado e jovem índio de uma tribo da região teve um trágico fim, pois ao partir para a caça noturna (costume indígena) para conseguir alimento para sua aldeia, em meio à escuridão caiu num grande buraco e morreu. A crença indígena dizia que os bons espíritos dos índios caçadores iam morar na Lua.

     A jovem índia, doce e radiante namorada, ao saber da morte do amado, não lamentou, não chorou, simplesmente morreu. Revelaram os índios da tribo que momentos antes de morrer, a índiazinha balbuciou:

     -A partir de hoje, ninguém mais vai se perder nesta montanha! Contam todas as gerações desde então, que as noites daquela região nunca mais foram escuras, as matas passaram a ser sempre agraciadas pela luz azulada da Lua, e por entre as árvores flutua uma bola de luz, que parece um pedacinho de lua, mostrando o caminho certo aos que precisam de ajuda.”

     Passou rapidamente a noite, pois depois de tantos casos, estórias, contos e lendas compartilhados, adormeceram tarde e acordaram tarde, almoçaram e a conversa continuou durante grande parte do novo dia e então já sentindo saudades daquela família, os jovens partiram mas foram apanhados no meio do caminho de volta à cidade, em plena mata, pelo véu da noite, ficaram preocupados, poderiam se perder, escurecia, mas para surpresa do grupo a lua surgiu soberana, iluminando o caminho. E assim chegaram em segurança à porta da cidade, olharam para trás e viram admirados à poucos metros deles uma esfera de luz, que parada, flutuava, como se estivesse querendo certificar-se de que o grupo havia chegado bem ao seu destino.

     Lembrando-se da estória contada, em silêncio elevaram seus pensamentos agradecendo a ajuda e companhia dos espíritos de luz enquanto a luzinha voltava calmamente para o interior da floresta. Chegaram em casa envoltos pela paz, contaram os acontecimentos às suas famílias, que ouviram respeitosamente, pois todos acreditavam em seus jovens filhos.

     Desde então, fatos idênticos de ajudas nas matas locais são relatados por pessoas idôneas. Até hoje (e torcemos que por todo sempre) podemos observar que naquela pacata cidade o luar é diferente, é lindo e puro o céu, e pelas montanhas, mesmo olhando da cidade podemos ver, lá sobre a mata, a luzinha, vagando tranqüila, enamorada do luar (e ajudando a outros necessitados) preenchendo a atmosfera daquela paisagem com muita paz.


     Autor: Paulo Renato Lettiere Corrêa (Paulo Lettiere)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Os mais sinceros Aplausos para você, Maria Vitória!

     Brasil, vamos levar a Maria Vitória Valoto, nossa representante, para a Sérvia! Doem qualquer quantia e/ou compartilhem a Campanha, amigos! Desde já fico infinitamente agradecida! Toda ajuda é muito bem vinda! E vamos juntos em coração com a Mavi! Apoiemos quem engrandece nossa Nação! É por Histórias de Dedicação e Arte assim que queremos ser lembrados! São pessoas com essa coragem, que erguem nossa bandeira todos os dias e que poderosamente fazem o livro imortal de um povo!

     Conheçam a Campanha: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-mavi-ir-para-a-servia

     Descubram mais sobre a Cientista: http://cientistabeta.com.br/2017/03/23/onde-encontrei-respostas-para-minhas-perguntas-entrevista-com-maria-vitoria-valoto

     Uma jovem guerreira... Um verdadeiro exemplo do quanto o ser humano pode, restaurando e transformando o planeta, reconhecendo e aliando o valor de todos os Elementos da Vida, ser um guardião da Terra!

     Quando vejo pessoas assim, essa pioneira por natureza, esse doce de menina, repleta de personalidade e iniciativa... E pessoas como vocês todos que se empenham para auxiliar de alguma forma, que sentem a importância de caminhar junto, de compartilhar ideais, sinto renovada a minha confiança imensa num Presente que vem abençoado pelo Estado de Espírito dos que preparam mais dias de Luz.

     Dizer/Escrever que os estudantes são o Futuro (E são mesmo! São as jóias da nossa sociedade!) é repetir o que todo mundo com bom senso já sabe... Mas preciso acrescentar à isso, que a Mavi se destaca também porque ela faz parte de um grupo muito especial com que o Universo resolve prestigiar algumas épocas... O que estuda com Amor extraordinário e incondicional... E quem faz isso já tem e vai ter muito mais a ensinar... Quando a gente percebe a inspiração com que ela descortina a Ciência, canalisando o Sublime das suas Energias de maneira tão construtiva, começa a admirar a forma como ela vê além... E é por isso que aonde ela vai é motivo de belas memórias!

     Parabéns, menina... E, principalmente... Seja cada vez mais Feliz!!! Seu brilhante Destino é certo! Você já é uma Líder vencedora em todas as estradas que decide percorrer! Conquista maravilhas insubstituíveis, pois são alcançadas com honradez e com todo o seu mérito! Muitos mais prêmios e aplausos te aguardam para recompensar seus passos! E eles vem acompanhados pelos abraços repletos de carinho de todos que desejam o melhor para você! Em seu peito, constelações de sonhos sempre aguardam ansiosas por mais uma de suas jornadas para se eternizar no Horizonte!


     24/02/2018
     
     Ana Lettiere
     http://entrelivrosehistoria.blogspot.com.br

     Com:

     Patrícia Lettiere
     http://pintandonopedaco.blogspot.com.br

     Paulo Lettiere

domingo, 29 de setembro de 2013

QUEIJOS

       AHHHHHHHHHHH...QUEIJOS, DELÍCIAS DE QUEIJOS, DIZ CHEF LETTIERE.


Tipos de queijo
 


Combine queijos e pratos






Fonte: Culinária MdeMulher

sábado, 28 de setembro de 2013

CORTE POR CORTE, O CORTE CERTO



Chef Lettiere, pesquisou e achou de boa ajuda esta matéria sobre cortes da carne bovina, para se obter excelentes resultados em nossas receitas.






 
1 - Rabo ou rabada









É uma carne gordurosa e cheia de osso, preparo parecido com a costela. Deve ser cozida, de preferência lentamente, ou até mesmo assada, no bafo. De textura fibrosa, dura e sabor marcante. Com muita gordura, que pode ou não ser retirada dependendo do preparo. Bem acompanhada de agrião ou mandioca – aipim, no cozido.

2 - Lagarto ou tatu
Lagarto
Uma carne dura, sem muita gordura e pouco suculenta. O lagarto é uma peça inteira, redonda e comprida, retirado do coxão duro. Pode ser cozida ou bem assada. Geralmente é recheada e depois cozida e feito assado de panela. Também pode se tirar bifes, fatias que são consumidas mal passadas, acompanhadas de molhos. Bem embrulhado, em papel alumínio, dá até para assar na brasa.

3 - Coxão duro ou chã de fora

Coxão duro
Também conhecido como músculo traseiro. Carne fibrosa e dura, com uma capa de gordura, porém de sabor forte. Deve ser bem cozida, para fazer sopas, ensopados e caldos. Depois de cozida, pode deixar secar o caldo e dar uma fritada. A carne fica vermelha e gostosa. Também utilizada moída, pura ou para rechear.

4 - Coxão mole ou chã de dentro

Coxão Mole
Carne macia, mas pouco suculenta. Tem um cozimento rápido, pode ser assada na panela e cozida ou churrasqueira, cortada em bifes grandes. Utilizada para bifes enrolados e recheados, a milanesa ou outras pratos que levam a um cozimento.

5 - Músculo e ossobuco (chambari), garrão

Músculo
Tem o músculo dianteiro e o traseiro. Sendo que o Músculo traseiro é mais mole. Um corte com bastante fibras, é ideal para ser cozida, utilizada em sopas e ensopados. Carne de textura dura e sabor forte, demora para cozinhar. Pode se cozinhar em panela normal, que é mais demorado, ou em panela de pressão, mais rápido geralmente 45 minutos.
Ossobuco ou Chambaril
O ossobuco ou garrão, músculo da perna ou canela, é o músculo cortado com o osso, de 2 a 3 centímetros. É uma carne dura, no centro do osso está o "tutano", que dá um sabor a mais a carne. É mais apreciado em caldos e sopas, bem temperados. Cozidos em fogo baixo e devagar, Acompanhado ou não de verduras.

6 - Patinho


Carne de textura macia e suculenta, mais macia que a alcatra. Utilizada moída, picada ou em bifes a milanesa, ideal também para moer. Pode ser cozida, assada ou passada. Com a carne moída se faz bolos, suflês, quibes e almôndegas. Se faz também ensopados, sopas e caldos. Acompanhada ou não de verduras.

7 - Picanha

Picanha
Retirada da alcatra. Carne macia e suculenta, com gordura e sabor forte. Bem utilizada em churrasco, frita ou assada. Na panela, corta-se bifes grandes que são fritos, e que também vão ao forno. Na churrasqueira vai inteira ou pedaços grandes. Pode ser cozida, acompanhada de verduras.

8 - Alcatra

Alcatra ou miolo de alcatra
Carne macia, suculenta, de sabor forte e apreciado. Uma peça inteira de alcatra mede até 80cm, e dela se tira ainda, cinco tipos de carnes. São eles: picanha, maminha, e alguns cortes tipo americanos, baby beef, tender steak e o top sirloin. Todos cortados contra as fibras, transversal. Bastante utilizada para bifes e churrasco. Também assada na panela ou no forno.

9 - Maminha de alcatra

Maminha de alcatra
Retirado da alcatra, a maminha é uma carne macia e suculenta. De boa textura e sabor, que é mais marcante se preparada na brasa, no espeto. Do qual se retira as porções, pouco a pouco, enquanto assa. É também utilizada em assados no forno. Além de ser cozida em ensopados e molhos.

10 - Filé mignon

Filé Mignon
Considerado o melhor corte do boi. De textura bem macia e muito suculenta. Pode se tirar bifes grossos e altos, que mesmo mal passados, a carne se mantém macia e saborosa. Mas, como não possui gordura, é preciso untá-lo. Para isso, o melhor é a manteiga e o azeite de oliva, ou o próprio bacon. De preparo rápido. Cortado em cubos ou tiras, prepara-se o strogonoff. Cortado em escalopes, faz os medalhões com bacon. Também pode ser assada na churrasqueira, untada.

Os Cortes do Bovino:
As carnes devem ter boa aparência, cor vermelho vivo e odor fresco e agradável. Os Cortes devem se feitos na tranversal, perpendicular as fibras.

Quantidade por pessoa: 1/2 quilo de carne



Os Cortes do Bovino - 2º parte
Do item 11 ao 21.
11. Filé de lombo ou contrafilé
12. Aba de filé ou costela
13. Fraldinha
14. Ponta de agulha
15. Acém, agulha, tirante
16. Braço, pá ou paleta
17. Peito
18. Pescoço
19. Filé de costela ou bisteca
20. Capa de filé
21. Cupim

Cortes Bovino
Os Cortes do Bovino - 2º parte

Quantidade por pessoa: 1/2 quilo de carne

11 - Filé de lombo ou contra filé
Contra filé
Carne de textura macia, suculenta e com gordura. Geralmente assada, passada ou frita. Muito usada para grelhados. Preparo rápido, é utilizada como bifes e rosbifes.


12 - Aba de filé, Fraldinha ou Costela
Carne fibrosa e dura, Cozinha-se lentamente. Depois de preparada fica macia e suculenta. De sabor marcante, com muito osso e gordura. Pode ser assada em churrasqueira, apesar de demorada, longe da brasa. É preparada cozida, bastante saborosa com mandioca – aipim.

13 - Pacú, Fraldinha
Fraldinha

Corte derivado da costela, também chamado de 'vazio'. Carne dura, mais suculenta. Macia, se cortada em fatias finas. Pode ser cozida e assada. Com ela prepara sopas, ensopados, molhos e também assado de panela. Também vai a churrasqueira, cortada em cubinhos ou fatias finas. Boa para moer.

14 - Ponta de agulha
costela Ponta de agulha

É um dos nomes da Costela. É o final da costela, na parte de baixo do boi. Caracteriza por ser mais fina e tendo até as pontas brancas, a cartilhagem. É uma costela mais macia, ideal para assados, na churrasqueira, no bafo e no forno convencional. Assando a peça inteira. É claro também pode ser servida em cozidos, ensopados.

15 - Acém, agulha, tirante ou alcatrinha
Acem

O pedaço maior e mais macio da parte dianteira do boi. Carne macia. É preparada cozida com em bifes de panela, sopas, ensopados e picadinhos. Mas também pode ser assada no forno, coberta com o sal grosso.

16 - Braço, pá ou paleta, peixinho, raquete ou miolo de paleta
Antiga Paleta ou Braço. Por ter diferentes texturas em um mesmo corte, foi dividida em 3 cortes:

• Peixinho
Peixinho

Também conhecido como lombinho ou lagartinho da paleta. Carne de fibras curtas, mais dura que o acém, podendo ser cortado em pedaços ou moído, para preparo cozido. Ou pode ser assado, recheado ou passado na chapa como escalopes.

• Raquete
raquete

Corte mais musculoso que o acém, com fibras longas e gordura concentrada, é uma carne muito saborosa. A raquete, bem cozida ou moída, rende excelentes molhos, cozidos, assados, bifes e ensopados.

• Miolo de paleta
Miolo de paleta

E a parte central da paleta, corte mais duro. Também de fibras curtas, ideal para ser cozida, ensopados.

17 - Peito
Peito
Carne de textura dura e fibrosa. O corte pode ser com osso ou sem, com gordura. É preparado bem cozido. Bem gostoso, se deixado cozinhar lentamente. Como no "puchero argentino", com grão de bico. Pode se assar também no bafo ou por um longo período na brasa.

18 - Pescoço
Pescoço

Continuação do peito, Carne de muito músculo e fibra, textura dura. Deve ser bem cozida, de preferência, por um período longo. Inclusive, se utilizando panela de pressão.

19 - Filé de costela ou bisteca
Carne macia, rodeada de gordura, com ou sem osso. Ideal para churrasco, pode ser frita, grelhada ou assada. Muito apreciada no Sul do país, ainda leva o nome de Chuleta.

20 - Capa de filé
É a parte de cima do fílé de costela, uma carne dura, de textura desigual, com muitos nervos. Deve ser bem cozida, utilizada em molhos, ensopados, cozido. Pode ser assada, se bem embalada em papel alúminio. Na grelha, se picado em pequenos pedaços ou retirando lascas.

21 - Cupim
Cupim

Carne Gordurosa, cheia de nervuras, muito dura. Às vezes macia, no começo do corte, em que se tem menos nervos, aquelas partes brancas. Cortada em bifes pode ser assada na churrasqueira ou no bafo. Deve ser cozida lentamente e depois fritar.

Fonte das fotos: SIC- Serviço de Informação da Carne
Fonte da Matéria: Weblaranja.com

domingo, 15 de setembro de 2013

Mexendo os Pauzinhos

Hashi

 
Hashi
Chopstick.JPG
Pauzinhos feitos de teixo japonês.
nome em chinês
Mandarim筷子 (kuàizi)
Cantonês筷子 (faa3 zi2)
nome em japonês
Kanji
Hepburn Romajihashi
nome em coreano
Hangul젓가락
Romanização revisadajeotgarak
McCune-Reischauerchŏtkarak
nome em tailandês
língua tailandesaตะเกียบ
Transliteraçãotakiap
nome em vietnamita
Quốc ngữđũa
nome em indonésio
alfabeto latinosumpit
O hashi ou fachi, chamados ainda popularmente de pauzinhos ou palitinhos, são as varetas utilizadas como talheres em parte dos países do Extremo Oriente, como a China, o Japão, o Vietnã e a Coreia.
Os pauzinhos são usualmente feitos de madeira, bambu, marfim ou metal, e modernamente de plástico. O par de pauzinhos é manuseado com a mão direita, entre o dedo polegar e os dedos anelar, médio e indicador, e serve para apanhar pedaços de comida ou empurrá-los diretamente da tigela para a boca.
Há uma variante dos hashi japoneses denominada de saibashi (菜箸; o さいばし). Estes são uma versão dos hashi (箸) especificamente adaptada para o uso na cozinha e permitem a manipulação do alimento quente com uma só mão. Têm um comprimento de 30 centímetros ou mais, e são unidos com um cordão nas extremidades onde se lhes pega. A maioria dos saibashi são feitos de bambu, mas para fritar recomenda-se a utilização de Saibashi de metal com os punhos em bambu os quais são chamados de kinzokuseinohashi (金属製の箸, "hashi feitos de metal").

História

A palavra em mandarim para os pauzinhos é 筷子 (kuàizi), em que o carácter 筷 significa "objetos de bambu para comer rapidamente". Sendo originários da China antiga foram no entanto profusamente utilizados em todo o leste asiático.
Utensílios que se assemelham a pauzinhos foram encontrados no posto arqueológico de Meggido em Israel, pertencendo aos citas, invasores de Canaã. Esta descoberta revela a possibilidade de existência de relacionamento comercial entre o Médio Oriente e a Ásia ou eventualmente o desenvolvimento dos mesmos utensílios em paralelo mas de modo autônomo. Os pauzinhos também eram artigos comuns na civilização uigur, das estepes da Mongólia durante os séculos VI ao VIII.

Como usar

  1. Ponha um hashi entre a palma da mão e a base do polegar, usando o quarto dedo o anelar para apoiar a parte inferior do mesmo. Com o polegar, aperte-o para baixo enquanto o anelar empurra-o para cima. Este deve ficar estável.
  2. Use a ponta do polegar, o indicador e o dedo do meio para segurar o outro hashi como uma caneta. Tenha a certeza que as pontas dos dois hashis estão alinhadas.
  3. Alavanque o hashi de cima em direção ao de baixo. Com este movimento, pode-se pegar comida em quantidade surpreendente.
  4. Com prática suficiente, os dois hashis funcionam como uma pinça.

 Fonte: Wikipédia